O futuro do trabalho

28 de junho de 2016
Júlia Azeredo

O perfil do que entendemos como “bom profissional” mudou e continua mudando. Se, nas décadas passadas, bastava ter um diploma para garantir sua vaga no mercado de trabalho (e provavelmente um bom salário), hoje é preciso ir muito além da bagagem que a graduação traz para ter sucesso. O mercado não é mais o mesmo, assim como seus consumidores.

É cada vez maior o número de estudos sobre o futuro do trabalho e porque ele irá afetar (ou está afetando) a forma como vivemos de maneira significativa. É importante entender essas (re)evoluções para estar preparado e fazer parte dessas mudanças e, porque não, ser também agente transformador no que entendemos por trabalho.

Sobre isso a especialista em inovação, conectividade, processos criativos, tecnologias sociais, design thinking, cultura e mudança, branding, estratégia, planejamento (ufa! Rs…) Grazi Mendes Rangel fala que:

“Num mundo em que quase tudo fica obsoleto da noite para o dia, estamos acompanhando uma das maiores mudanças dos próximos tempos: o fim da carreira profissional.

Uma trajetória linear e ascendente dentro de uma área de atuação vem sendo substituída por uma vida feelancer e empreendedora (dentro ou fora de organizações). Estima-se que cerca de 40% da força de trabalho nos Estados Unidos será freelancer até 2020. E esse futuro freelancer será conduzido por uma nova geração de trabalhadores avessa a longas jornadas de trabalho e que priorizam projetos e não empregos. O futuro do trabalho é provavelmente um futuro sem emprego, tal como conhecemos hoje.

Conectividade e as tecnologias remotas permitem que o trabalho possa ser executado de qualquer lugar. Jornadas de trabalho mais flexíveis, coworkings e home offices já são realidade e impulsionam uma nova lógica: vamos exercer múltiplas atividades diferentes ao longo da vida. Teremos que nos preparar para começar de novo. E de novo. E de novo. Mais rápido do que conseguimos imaginar.
Uma das desvantagem: pessoas que perderão seus empregos pelo desaparecimento ou obsolescência de suas ocupações dificilmente terão habilidades e competências exigidas por essa nova dinâmica.”

 

Uma pesquisa desenvolvida pelo Institute for the Future nos ajuda a pensar melhor essas mudanças e os impactos que elas tem. Nesse estudo foram mapeados alguns aspectos comportamentais e orgânicos do mundo atual e as mudanças que eles geraram no mercado de trabalho:

  • O aumento da expectativa de vida e a transformação da natureza do aprendizado e das carreiras profissionais.
  • O massivo aumento e melhoramento nas tecnologias digitais que tornam o mundo e as relações programáveis.
  • O surgimento das redes sociais que impulsionam novas formas de geração e criação de valor.
  • A interconectividade global que aumenta a diversidade e adaptação das instituições às mudanças mais sutis no mercado e no mundo.
  • O surgimento de novas mídias que requerem ferramentas que vão muito além do texto no que se refere a comunicação. A era do pensamento visual.
  • A substituição da força humana pela robótica e o afastamento do trabalhador das tarefas repetitivas e automáticas.

Nesse contexto, quais habilidades são consideradas essências do profissional e quais desdobramentos são esperados da combinação dessas diante da complexidade de informações e a demanda por novas competências de trabalho?

  1. Visual sense making: habilidade de gerar significados e planejar ações através de desenhos e gráficos.
  2. Transdisciplinaridade: a capacidade de relacionar e atuar em áreas diversas para gerar conhecimento.
  3. Design mindset: o uso do “pensamento do design” ou da criatividade na solução de problemas complexos.
  4. Discurso e pensamento adaptável: dinamismo e proatividade na solução de problemas.
  5. Inteligência social: habilidade de se relacionar e reagir adequadamente a cada meio social.
  6. Alfabetização midiática: desenvoltura no uso de tecnologias para gerar discursos ou comunicação de convencimento.
  7. Transculturalidade: habilidade de lidar em contextos culturais diversos.
  8. Pensamento Computacional: habilidade de compactar grandes quantidades de dados ou conceitos abstratos e transforma-los em conteúdo palpável.
  9. Gestão da cognição: capacidade de planejar o andamento de ações por importância usando ferramentas e técnicas que aumentam o funcionamento cognitivo.
  10. Cooperação virtual: habilidade de gerar engajamento e gerir ações de forma construtiva em equipes virtuais.

future-work-skills

A gente listou dez, mas é muito provável que em um par de anos, mais habilidades surjam e se tornem indispensáveis. O mundo vai continuar girando e se transformando. Se você está perdido no meio dessa informação toda e não sabe por onde começar, a gente sugere que comece aprendendo o sensemaking, que já é uma habilidade considerada essencial e que vai te ajudar e transformar a maneira como você se faz entender e de como você entende as mais diversas situações.

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