Sejamos ociosos!

23 de fevereiro de 2016
Júlia Azeredo

Informação nunca é demais? Basta abrir o navegador de internet e ser afogado por zilhões de notícias sobre e tudo e nada; amplie a busca e terá “mais do mesmo”, em doze abas diferentes.  As pessoas estão cada vez mais preocupada com a alimentação, lendo rótulos, investindo em orgânicos, dizendo não ao sódio (e ao glúten) e o mesmo deveria ser feito em relação ao tipo de informação que ingerem. Assim como o excesso de sal, encher seu corpo com quilos de conteúdo inútil ou inutilizável  também é muito nocivo.

sejamos ociosos

Ilustração: Júlia Félix

O cérebro não é uma máquina com HD inesgotável como a gente pensa, é preciso dar tempo, desacelerar para reiniciar com qualidade! Como diria Domenico de Masi: “O ócio não é o pai dos vícios, mas o pai das ideias“. Se você vive ligado no 220 e acha difícil encarar o vazio, ocupe sua mente com atividades que te dem prazer! Do videogame à jardinagem, vale tudo para escapar um pouco da “máquina de informação”, que em regra, tem sido a tela de um computador. Lembre-se, a algumas centenas de anos, antes de ser criada a internet, um homem se sentou para ler debaixo de uma macieira, foi atingido por um fruto e fez a pergunta que revolucionou nossa existência: Que força fez a maçã cair?

As grandes descobertas (ou as pequenas não menos importantes) partem de perguntas que nem sempre nos lembramos de fazer ou que simplesmente nos contentamos em fazer para o google. Não damos espaço para o pensamento sem proposito ou devaneios e talvez esse sintoma venha desde o jardim de infância! Mas, você sabia que a palavra escola, no seu sentido original, deriva do grego schole: lazer ou lugar do ócio? Em outros tempos as pessoas frequentavam as escolas em seu tempo livre, para aprender, mas principalmente para refletir e pensar.

Quando alimentamos o nosso espaço do pensar também alimentamos a nossa criatividade! Você pode se surpreender pela quantidade de habilidades que podem estar escondidas no meio da sua correria. O Guilherme Briggs, por exemplo, conta que, quando era criança, tinha o costume de treinar o desenho com as duas mãos para se divertir, ele continua fazendo isso ainda hoje e veja no que deu:

Que tal resgatar a criança que ainda mora dentro de você? Que tal descobrir prazer no silêncio, ou na dança, ou nas milhões de possibilidades que o mundo te oferece para ser um ocioso criativo?

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  • Gabriela Flores Caldas Tamura

    Em tempos de correria quem se dispõem a parar tudo? Vamos tentar por aqui, obrigada pelo lembrete.
    PS: Se eu tentar fazer um desenho com uma mão só já seria um desastre, com as duas seria calamidade pública kkkkk

    • Lucas Alves

      ô Gabi, muito grato pelo seu comentário! Compartilho com vc da correria, mas tem que se achar um momento para dar uma paradinha, senão a gente pira. E eu ainda não cheguei ao ponto de desenhar com as duas mãos, mas pode ser um bom exercício (claro que se não nos compararmos ao moço do vídeo).